quinta-feira, 6 de maio de 2010

Vó Zileide decidiu radicalizar: "tudo pela governança uma conversa"

-Calma Vó Zileide, muita calma nesta hora. O que aconteceu? - Está contra o Hélio Costa como cabeça de chapa na quase-aliança PT-PMDB em Minas?

- Que nada professor. O que eu não engulo é o Sarney, o Zequinha e a Roseane. Já decidi bem decidido: sou uma HISTÓRICA; minha opinião tem que ser respeitada. Roseane não. Mas preciso confessar uma coisa: amei os terninhos da Dilma. Meu filho, com aqueles babados nem eu usava mais. Quem sabe ela não empresta, ou doa prá Lilica. Mas vamos reparar umas coisas: a Dilma é competente e ponto final. Falta só um jeitinho pra moça. Pode? Depois que inventaram o do tal do marketing não basta à candidata ser boa para a presidência. Ela precisa também parecer boa (para a presidência). Não coloquem na minha boca o que não falei. O Serra não tem jeito. Rompi com ele em 1968 quando ele caiu fora da Ação Popular Marxista Leninista do Brasil. Também nem a sigla ajudava: APMLB. O curioso é que com este nomão todo a AP, como era chamada pelos íntimos, era maoísta. Acho que foi ai que deu o curto circuito no Serra e deixou o dito com aquela cara de vampiro. Agora este menino dizer que vendia limões pra ajudar os pais. Esta é demais. Não invente estas coisas meu filho. O seu pai era feirante e isto era um negócio muito bom. Naquela época ou cara era comerciante e ganhava dinheiro ou virava bacharel e ganhava merreca. Seu pai fez a escolha inteligente. Assim como meu tio Geraldo, que morava também na Moca e depois mudou pra o Brás. Tio Geraldo tinha uma charutaria na Xavier de Toledo, em uma área de mais ou menos 2 por 3.Trinta anos depois era uma dos maiores sócios do Shopping Iguatemi, em SP. Comerciante e feirante naquela época eram excelentes negócios. Mas não me venha com esta de família pobre. Você se lembra muito bem que para entrar no USP agente gastava uma grana preta com cursinho. E depois só quem podia conseguia estudar, sem ter que trabalhar. Meu garoto! Eu tava lá. E tenho a memória boa. Eu fazia ciências sociais e dava aula no curso Anchieta, em Santana. Mas vou te deixar mais por dentro das coisas, já que você estava fora do Brasil. Em 1970 o Honestino Guimarães, que também era confrade nosso da AP, foi o último presidente da UNE clandestina. A última vez que o vi foi no final de 1971. O Gui, (lembra deste apelido?) despediu-se de mim em um boteco, que ficava na entrada da Cidade Universitária. Depois disto apenas registros de suas passagens pelo CENIMAR, DOPS e Operação Bandeirante. O Honestino Guimarães, meu caro Serrinha, até hoje não teve seu corpo devolvido para a família. Ele não sabia usar nem estilingue, quanto mais usar qualquer tipo de arma, que não fosse sua coragem e jeito manso de falar. Foi isto que me deixou tão revoltado quando consideraram que seus covardes assassinos, funcionários do Estado, guardiões da segurança pública, fossem anistiados como um dos nossos heróis. Então, da próxima vez que sair e-mail por aí falando de baixaria sobre Dilma, quando ela participou da resistência contra a ditadura, vamos manter a dignidade e não compactuar com esta história de caracterizá-la como terrorista e mentirosa, porque a mentira que ela contou foi no pau- de- arara e na cadeira de dragão. Os dominicanos, amigos do Frei Beto, sabem bem do que estou falando. Aos combatentes do regime militar de 64 só podemos honrá-los como cidadãos de bem. Tenho dito.



- Ufa, Vó Zileide! Por este desabafo não esperava. Mas é sempre bom relembrar para os mais novos a história do Brasil, para que esta história não seja contada apenas pela versão dos torturadores.

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